quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Alcantarilha a Ler+

Em Setembro recomeçámos as sessões do Clube de Leitura da Casa do Povo de Alcantarilha, Pêra e Armação de Pêra [CPAPAP], sendo que em Outubro retomaremos regularmente as acções de Voluntariado de Leitura no terreno, um pouco por toda a freguesia, aos fins de semana.

Desta feita, o tema abordado foi o Amor e suas inúmeras abordagens, reinvenções e registos, tendo sido partilhadas várias experiências de leitura à volta de obras de António Lobo Antunes, Robert Schneider, Jorge Amado, Marguerite Duras, Guido Visconti, Augusto Cury, Henry Miller, entre outros autores.  




Em Outubro (no dia 9, pelas 21h00), e continuando nesta vertente das sessões temáticas e/ou por géneros literários, será a vez de mergulharmos no universo dos romances históricos

Quem ainda não faz parte do grupo de leitura em Alcantarilha e quiser participar na próxima sessão, pode seleccionar a obra que gostaria de ler a partir da lista proposta pela Biblioteca Municipal, disponível aqui, devendo depois enviar um email para biblioteca@cm-silves.pt indicando a sua escolha, a qual poderá levantar depois na Biblioteca da Casa do Povo de Alcantarilha ou, se lhe der mais jeito, na Biblioteca Municipal de Silves, isto de forma a poder lê-la atempadamente. 

Em alternativa, também pode levar para a sessão um outro livro (fora da lista que propomos) de que goste, desde que dentro da área dos romances históricos. 

Uma terceira possibilidade: aparecer na sessão para simplesmente descobrir como funciona, sem compromissos...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Clube de Leitura em Alcantarilha

Foi na quarta-feira passada, dia 31 de Julho, que nos reunimos em Alcantarilha para mais uma sessão mensal do Clube de Leitura da Casa do Povo de Alcantarilha, Pêra e Armação de Pêra, a qual juntou diversos membros dos Voluntários de Leitura ligados à biblioteca da instituição. 
O tema a revisitar foi o Amor (o qual será retomado na sessão de 11 de Setembro), tendo sido debatidos os seguintes livros: 

História de dois amores, de Carlos Drummond de Andrade
Cartas de amor de Fernando Pessoa
Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, de Pablo Neruda
Meu amor, era de noite, de Vasco Graça Moura
Diana ou a caçadora solitária, de Carlos Fuentes
O que é o Amor?, com texto de Davide Cali e ilustrações de Anna Laura Cantone (obra recomendada pelo Plano Nacional de Leitura)
Amor é... passear de mãos dadas, de Charles M. Schulz
Camila diz asneiras, de Nancy Delvaux e Aline de Pétigny

Ainda houve tempo para o Manuel Caetano recitar três poemas da sua autoria sobre o mesmo tema. Aqui ficam:

O amor nasce no peito
E vai crescendo lentamente 
E chega a certo ponto 
que não cabe dentro da gente. 

O amor é invisível
Não é coisa que se veja
Mas toda a gente o deseja
Até parece impossível. 

De uma forma irresistível
Produz o seu efeito
Qualquer de nós está sujeito
A sofrer o seu feitiço
Porque mesmo sem se dar por isso 
O amor dá-se no peito.

Os voluntários participantes na sessão foram Merícia Estêvão e seu neto Eduardo (de 7 anos), Isabel Costa, Manuel Caetano, Ana Santório, Silvana Cortes, Afonso Fernandes, Luís Ricardo, Sónia Pereira e Paulo Pires.









terça-feira, 16 de julho de 2013

Era uma vez um areal literário...

No passado domingo (dia 14), de manhã, os Voluntários de Leitura pegaram nos seus livros mais portáteis e toalha, vestiram o fato de banho e foram espalhar palavras pelo areal de Armação de Pêra.

Descobrimos pescadores-poetas, surpreendemos turistas de longa data, sensibilizámos residentes locais, trocando impressões e opiniões acerca dos livros e da leitura, informando sobre as dinâmicas e objectivos do projecto "A minha Freguesia a Ler+" e o Voluntariado de Leitura, e distribuindo flyers e marcadores de livros sobre os mesmos. Também procedemos à recolha de emails dos nossos interlocutores para podermos inclui-los na nossa lista de difusão, de modo a que acompanhem tudo o que vamos fazendo.

Paralelamente, e porque esse também era um dos nossos objectivos principais, fizemos diversas leituras personalizadas a quem fomos encontrando, sugerindo-lhes diversas obras e autores, tais como:

Enciclopédia da Estória Universal (3 vols.), de Afonso Cruz
- O Livro do Ano, de Afonso Cruz
- A contradição humana, de Afonso Cruz
- Livro de reclamação das crianças, de Eduardo Sá
- Cartas de amor, de Fernando Pessoa
- Mar Novo, de Sophia de Mello Breyner Andresen
- Mar [antologia], de Sophia de Mello Breyner Andresen
- Alcunhas e apelidos, de Maria José Fraqueza
- Inéditos, de António Aleixo

Ainda houve tempo para uma reportagem para a revista Algarve Mais, graças à nossa amiga e fotógrafa Apoema de Calheiros e ao seu entusiasta esposo José Gama, que entrevistaram e fotografaram alguns dos veraneantes que fomos contactando ao longo da manhã. O artigo encontra-se disponível aqui













sexta-feira, 12 de julho de 2013

Leituras com maresia

No próximo domingo, dia 14 de julho, entre as 9h30 e as 13h00, os voluntários de leitura voltam a surpreender e vão estar, literalmente com os pezinhos na areia, na praia e frente-mar de Armação de Pêra (junto à fortaleza) a dinamizar informalmente algumas micro-leituras para os veraneantes e visitantes daquela zona. 

Trata-se também de uma forma de divulgar junto do público o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos meses em vários pontos do concelho de Silves no âmbito do projecto "A minha Freguesia a Ler+" e de sensibilizar a população (local ou não) para a importância cultural e psicossocial do Voluntariado de Leitura. 


Ana Santório, Ana Paula Baptista, Luísa Duarte, José Paulo Vieira, Paula Torres, Ana Rosendo, Isabel Costa, Sónia Pereira e Paulo Pires serão alguns dos voluntários participantes. Tragam o fato de banho, a toalha, o protector e alguns livros, e juntem-se a nós!

(No dia 28 de julho, domingo de manhã, estaremos novamente por lá para um take 2.)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Sensibilização para a leitura na Semana Cultural de Alcantarilha

Os voluntários fizeram questão de contribuir também para a programação da Semana Cultural de Alcantarilha, que decorreu entre 1 e 9 de junho passados, preparando uma ação de sensibilização para a leitura dirigida ao público em geral.

Essa ação, intitulada "O tamanho importa? (quando o menos é mais...)", pretendeu abordar livros que, pelo seu tamanho físico reduzido e/ou número diminuto de páginas, pudessem constituir sugestões de leitura atrativas para aqueles que afirmam não ter tempo para ler ou que argumentam que os livros são demasiado grandes e enfadonhos. Quis-se assim fornecer uma amostra interessante de literatura portátil, a pensar também nas férias e na época balnear.

Para tal, lançou-se o desafio aos voluntários de Alcantarilha e de Silves para que escolhessem obras, de temas e géneros variados, a pensar neste formato, tendo participado na sessão com as suas sugestões pessoais: Ana Santório, Isabel Costa, Maria Luísa Cabrita, Ana Cristina Maia, Manuel Caetano, Merícia Estêvão, Luísa Duarte, José Paulo Vieira, Luís Ricardo, Afonso Fernandes, Silvana Cortes, Paula Torres, Paulo Pires e Sónia Pereira.












As obras apresentadas foram:

. Os diários de Adão e Eva, de Mark Twain
. A arte de dar peidos, de Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut
. O mar, de Ramalho Ortigão
. Miniaturas, de Paulo Kellerman
. Um livro para todos os dias, de Isabel Minhós Martins e Bernardo de Carvalho
. O Livro do Ano, de Afonso Cruz
. Moby Dick em Lisboa, de José Saramago
. Culturalmente correto, de António Clark Mello
. A arte de pagar as suas dívidas e de satisfazer os seus credores sem gastar um cêntimo, de Honoré de Balzac
. Sujeito indeterminado, de Augusto Mota
. Receitas de amor para mulheres tristes, de Héctor Abad Faciolince
. O Alienista, de Machado de Assis
. Minutos de sabedoria, de Carlos Torres Pastorino
. Fotopad, de Joel Santos
. Histórias de vida (parábolas para refletir), de Itamar Vian e Aldo Colombo
. Inspiração, de Robin Sharma
. Histórias ao telefone, de Gianni Rodari





No final da sessão houve um animado convívio com caracolada, cerveja, vinho e doces a acompanhar. Muito obrigado a todos os que se juntaram a nós e, em especial, ao Luís Ricardo (presidente da Direção da Casa do Povo de Alcantarilha, Pêra e Armação de Pêra) pela hospitalidade, disponibilidade e dedicação incansáveis.




quarta-feira, 12 de junho de 2013

Voluntários no coração da serra algarvia!

A freguesia de S. Marcos da Serra ainda não tinha sido contemplada com ações de voluntariado de leitura desde o arranque deste projeto em finais de 2012, não obstante não existir lá ainda um pólo de biblioteca nem um núcleo de voluntários criados. Sabemos bem como se trata de uma zona interior, serrana, com elevados níveis de envelhecimento e analfabetismo, em que a oferta cultural é diminuta e, por isso, um contexto onde importava atuar com alguma premência.

Nesta medida, agendámos duas ações de animação da leitura para 1 de junho e 12 de julho, respetivamente na Associação Humanitária (Centro de Dia) - isto para um público idoso - e no centro histórico (domicílios e cafés) da aldeia, de forma a estimular e envolver a população local e os agentes associativos.

Realizámos a primeira sessão simbolicamente no Dia Mundial da Criança, a 1 de junho (à qual assistiram cerca de 32 pessoas), tendo participado os voluntários de leitura Manuel Caetano, Ana Santório, Ana Paula Baptista, Maria Luísa Cabrita, Rosa Santos e José Paulo Vieira, dos núcleos de Silves e de Alcantarilha, bem como Beatriz Palma, de 11 anos, que leu o conto "O velho, o menino e o burro".

Foram lidos textos de Nuno Júdice, Eduardo Galeano, Alexandre O'Neill, Eugénio de Andrade, Juan Ramón Jiménez, entre outros, bem como interpretados alguns trechos musicais em interação com o público.

Queríamos deixar um agradecimento muito especial à direção e às técnicas do Centro de Dia de S. Marcos, bem como à nossa voluntária de leitura Rosa Santos, ali residente, por todo o apoio, entusiasmo e envolvimento revelados nesta ação.

Ainda houve tempo para uma conversa amena com os amigos Manuel Vicente e Manuel José Martins Rodrigues, ambos de 77 anos e naturais de S. Marcos da Serra, bem como para ouvir os poemas feitos por Isabel Maria de Castro, de 84 anos, também originária daquela freguesia, a qual nos deliciou com os seus versos feitos de amor à terra-natal, sátira social e deslumbramento pela natureza. Aqui ficam alguns que registámos em audio através do gravador de voz do telemóvel:

"S. Marcos"

S. Marcos vai estando bonito
que todos vêem que é assim,
até o bairro dos Montinhos
já ganhou um jardim.

É pena ser tão pequeno,
é por isto reparado,
mas feito com antiguidade
porque tem até um arado.

Tem três entradas principais,
examinem que é assim,
cada entrada tem uma porta
enfeitada com um jardim

Feito pelo nosso presidente
que tem bonita opinião,
uma vez que de lá saia
deixa esta recordação.

Nos tempos que já lá vão,
isto deve ser reparado:
que os outros presidentes não deixaram
nada feito pra agora ser lembrado.

Mas a verdade é só uma,
ninguém diga que não,
que o senhor António Lourenço
ainda deixou uma recordação.

O tempo foi-se passando,
amanhecendo de dia-a-dia,
a praça foi transformada
para a Junta de Freguesia.

Vai-se andando e escutando
que a música é mesmo assim,
por muito boa que ela seja
há quem diga que é ruim.

Não sei se me compreendem
aquilo que eu quero dizer,
que assim são os presidentes
façam eles o que fazer.

Já me estava a esquecer,
e agora peço perdão,
que o senhor José Miguel 
também deixou uma recordação.

Mandou fazer um edifício
com amor e simpatia,
e para ser bem justificado
deixou lá a fotografia.

Os outros presidentes que não falei
não devem levar a mal,
que não deixaram nada feito
para a gente agora se lembrar.

Mas S. Marcos ainda tem
pessoas de simpatia,
que alguns andaram pedindo
para começar o Centro de Dia.

Com algumas preocupações
já está a funcionar,
para uns lá receberem
os outros têm que pagar.

E isto que eu estou a dizer

não me podem desmentir,
porque à minha porta
eles também foram pedir.

No dia da inauguração
foi um dia de alegria,
que havia tanta comida
que ainda ficou para o outro dia.

E no fim da refeição
os encarregados foram falar
e falaram todos tão bem
que eu não sei qual hei-de gabar.

Mas se pensares em passar férias
fora da tua terra,
vai passá-las ao Algarve,
mas em S. Marcos da Serra.

É uma pequenina aldeia
mas [de] gente com amor e carinho,
para veres uma antiga nora
rodada por um machinho.

Os versos que eu estou a escrever
podem dizer que não estão bem,
mas lêem-se em todo o lado,
não dizem mal de ninguém.


"As quatro estações do ano"

O ano tem quatro estações
mas isso não é moderno,
a Primavera e o Verão,
o Outono e o Inverno.

Quando chegar a Primavera,
atrás vem o calor
para os campos florirem,
que é o jardim de Deus Nosso Senhor.

Deus é o pai de todos,
criados com os mesmos carinhos,
porque é que uns são tão ricos
e outros são tão pobrezinhos?

Mas há pobres de simpatia
e ricos mal-educados,
resumindo a coisa bem,
que os versos não vão errados.

Quando se acabar o Verão
ficamos logo no Outono,
resumindo a coisa bem,
que é a terceira estação do ano.

A última é o Inverno,
que é o mais mau de passar,
quem é pobrezinho não tem roupa
para se agasalhar.