terça-feira, 26 de novembro de 2013

Vem aí mais uma Tertúlia Mais Pequena do Mundo

Nesta quinta-feira um grupo indeterminado de mentes incontinentes reúne-se no Quiosque Al'Mutamid, em frente à Biblioteca, pelas 21h30, para mais uma tertúlia à volta de livros e temas pessoais, locais, globais. Apareçam e tragam o vosso contributo...

sábado, 23 de novembro de 2013

Paulo Morais em Silves

Faltam 6 dias para o Sarau Instável com Paulo Morais.
Haverá também venda do seu novo livro e sessão de autógrafos.
Imperdível...


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Obrigado!

Atingimos hoje as 10000 visualizações deste blogue. Enquanto houver estrada pra andar a gente vai continuar...

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Paulo Morais debate corrupção/crise na Biblioteca Municipal de Silves



O Voluntariado não pode ser dissociável do debate cívico e da reflexão e esclarecimento críticos em torno de questões actuais e incontornáveis como a transparência, rigor e responsabilidade na gestão dos dinheiros públicos, a qual influencia directa e indirectamente o quotidiano dos cidadãos e, neste caso, também a área cultural. Daí esta sugestão. 

Paulo Morais (o mais reconhecido e mediático rosto do combate cívico à corrupção em Portugal) regressa a Silves para apresentar a sua mais recente obra: Da corrupção à crise. Que fazer? 

É já no dia 29 deste mês (sexta-feira), pelas 21h00, na rubrica regular "Sarau Instável" promovida pela Biblioteca Municipal de Silves, com entrada livre e moderação de Paulo Pires.

Tomem nota na vossa agenda. Mais info
aqui

No rescaldo de ontem...

Em noite de Tertúlia Mais Pequena do Mundo, um grupo de amantes da cavaqueira reuniu-se no Quiosque Al'Mutamid e dissertou sobre variadíssimos temas e textos, entre eles: 

- Paula Torres trouxe para cima da mesa os resultados do estudo "Acesso à Cultura e Participação", feito pela Directoria-Geral para a Comunicação da União Europeia em 2013, que pretendeu perceber, num espaço de 12 meses, qual o grau de adesão e as motivações (elencam-se quatro: falta de interesse, de tempo, de dinheiro ou de quantidade/diversidade de oferta existente) dos cidadãos de diferentes países europeus relativamente à oferta cultural nas suas variadas expressões. 

O relatório completo deste importante estudo pode ser consultado e descarregado aqui, bem como um sumário, disponível aqui, além de um resumo visual relativo a Portugal, patente aqui

Os valores apresentados para o caso português são verdadeiramente preocupantes, daí que o debate se tenha centrado sobretudo na análise informal de dois dados: a distribuição de público português que não assistiu a nada em áreas culturais específicas (92% no Ballet, Dança e Ópera; 87% no Teatro; 85% nas Bibliotecas; 83% nos Museus e Galerias; 81% nos concertos musicais; 73% nos monumentos históricos; 71% no Cinema; e 60% na leitura de um livro); e a principal motivação identificada pelo estudo para isso, que foi a da falta de interesse, muito à frente das três acima apontadas. 

Falou-se da relação destes resultados com os níveis de formação e educação do público português (sendo que foi essa a carência mais apontada, chamando-se a atenção para os actuais modelos, políticas e estruturas educativos, que têm vindo, por razões várias, a divorciar-se gradualmente, em termos oficiais (exceptuando-se alguns docentes mais entusiastas que continuam a "remar contra a maré") , da construção de pontes entre a escola e o exterior, mormente com o mundo das artes e da cultura em geral), bem como com factores psicológicos, relativos à personalidade individual (disponibilidade mental, curiosidade, ambição de conhecimento), como ainda com a importância de haver mediadores que estabeleçam eficaz e atractivamente (isto é: falar de coisas complexas e técnicas de uma forma simples + falar de modo contagiante + falar com efectivo conhecimento de causa das matérias) a intermediação entre o grande público e os vários estratos do universo cultural. 


- Sónia Pereira chamou a atenção para a divulgação que a Secretaria de Estado da Cultura fez recentemente da intenção de elaborar um conjunto de dez estudos sobre a área da Cultura em Portugal, visando a candidatura de projectos aos Fundos Estruturais do Quadro Estratégico Europeu (2014-2020). A propósito deste anúncio, falou-se da tentação/propensão frequente do poder político para fazer tábua rasa do trabalho feito anteriormente à sua chegada ao Poder, bem como da forma como os fundos em causa vão beneficiar os agentes culturais portugueses, dado que muitos deles (a maioria), não dotados de estruturas e lobbies fortes em termos de influência, podem não conseguir aceder a estes apoios. Aqui pôs-se também a questão do apoio administrativo e burocrático, necessariamente informado e especializado em candidaturas a fundos, que, por exemplo, os municípios, as direcções regionais e outros organismos públicos podem dar aos actores da cena cultural local/regional. 


- Houve ainda várias leituras de textos literários: 
. Maria Fernanda Marcelino evocou, de forma sentida, o grande pedagogo Rómulo de Carvalho, de pseudónimo "António Gedeão", e o seu emblemático "Poema para Galileo"; 
. Esmeralda Lopes revisitou os lugares da memória e os desafios da escrita autobiográfica, lendo excertos de um trabalho apaixonante que fez em tempos no âmbito profissional, questionando filosoficamente o que faz parte das nossas lembranças e como as moldamos e reinventamos ao longo do tempo; 
. António Guerreiro leu entusiasticamente três poemas seus datados de 2009, bem como uma composição sua cruzando poema, fotografia e texto em prosa; 
. José Paulo voltou a reflectir sobre o(s) mundo(s) da Palavra apresentando um poema seu intitulado "A palavra do pensamento";
. No seu tom sereno e cuidado, a voz de Ana Paula Baptista trouxe-nos Antero Quental e o inquietante poema "Divina Comédia";
. Seguindo a tendência/registo a que nos tem habituado, António Baeta trouxe dois textos de microficção ("A Privilegiar o que nos aproxima" e "Ressaca", sempre com finais inesperados e inquietantes), bem como um desconcertante e actualíssimo poema de Nuno Júdice ("A Pressão dos Mercados");
. Sónia Pereira recordou um pertinente texto de Maria Filomena Mónica designado "A minha Europa", enfocando no tema da pobreza;
. Inês Lopes, por seu lado, leu um poema seu intitulado "Cidadã daqui e dali".


PRÓXIMA TERTÚLIA: 28 de Novembro. 21h30. Quiosque Al'Mutamid (a penúltima sessão de 2013)





terça-feira, 12 de novembro de 2013

Esta quinta-feira no sítio do costume...

Nesta quinta-feira, 14 de Novembro, pelas 21h30, um número circunscrito de mentes irrequietas e persistentes (por isso, perigosas) reúne-se no Quiosque Al'Mutamid para mais uma Tertúlia Mais Pequena do Mundo

Será a antepenúltima deste ano, dado que em 2014 o formato irá deslocar-se, rotativamente, para outros micro-lugares da cidade procurando, também assim, novos cúmplices. Já se fala por aí em barbearias, farmácias, lavandarias, sacristias e demais recantos terminados ou não em "ias". 


Lotação limitada ao espaço existente, com direito a falar sobre tudo, inclusive sobre nada. Chá, café, vinho e aperitivos a acompanhar a cavaqueira...


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Ontem no Quiosque Al'Mutamid

Em noite de Halloween aconteceu ontem mais uma Tertúlia Mais Pequena do Mundo.

Entre alguns pormenores alusivos à quadra simpaticamente preparados pela Maria do Carmo (dinamizadora do espaço), e aquecidos pelo café, chá, aperitivos e alguns copos de vinho, criou-se um clima de amena cavaqueira, havendo intervenções em várias frentes e registos, as quais se prolongaram noite adentro. 

No campo das sugestões pessoais, António Baeta Oliveira leu três microcontos da sua autoria ("Alienação", "De avião" e "Eu vi com os meus olhos: Tenho a certeza"), enquanto José Paulo e Esmeralda Alves partilharam poemas seus, respectivamente sobre o poder e a perigosa banalização das palavras nos dias que correm (e a ansiedade das mesmas em quebrar o sufoco) e a obra Divina Comédia, de Dante.  

Ainda na vertente das leituras literárias, Ana Cristina Féria apresentou dois textos em prosa de João Carlos Fraga, escritor seu amigo actualmente radicado na ilha do Faial (Açores), sendo que um deles - um excerto de uma carta trocada entre ambos em meados dos anos 80 do século passado - desencadeou várias reflexões, de foro psicológico e sociológico, em torno da complexidade da ideia de Solidão e dos seus múltiplos caminhos/interpretações individuais e colectivos. Ainda sobre este tema, Paula Torres leu um precioso poema de Guillevic, a partir de uma tradução de David Mourão Ferreira em 1965.

Sónia Pereira partilhou um curto mas incisivo texto de Gonçalo M. Tavares retirado da obra Investigações Novalis, enquanto Jacqueline Vangoidsenhoven brindou-nos com a leitura de um excerto da obra Lisboa Mítica e Literária, do espanhol Ángel Crespo, evocando uma cantiga de amigo do trovador João Zorro e citando uma interessante ideia de Gustavo de Matos: "as cidades são mulheres e cada uma tem a sua maneira própria de agradar". A propósito, recordaram-se textos de Al Berto, José Cardoso Pires e Sérgio Godinho sobre Lisboa. 

Paulo Pires leu dois microcontos de Paulo Kellerman ("Depois do sexo e antes de adormecer, citam-se os clássicos (III)" e "Peido") e sugeriu a provocatória obra Como falar dos livros que não lemos?, do francês Pierre Bayard, tendo-se gerado várias partilhas à volta da relação entre leitura, livros e cultura, e das várias formas de "ler" uma obra. Revisitou ainda algumas "premonições" muito certeiras de Natália Correia sobre os tempos actuais. 

No plano local António Guerreiro foi ao baú da memória buscar um relatório, datado de 1924, então redigido por um funcionário da Câmara Municipal de Silves para ser apresentado ao Executivo, do qual constavam vários dados e observações interessantes no que toca ao nível de desenvolvimento do concelho, às suas preocupações, aos caminhos a trilhar, etc., tendo também apresentado algumas reflexões sobre Silves, nomeadamente no que toca aos jovens, Cultura e não só, baseadas num artigo de imprensa que escreveu em 1993. 

Paula Torres, por seu lado, alargou a geografia da conversa e trouxe para a mesa uma reflexão sobre o Índice de Transparência das autarquias portuguesas a nível da sua gestão e intervenção, fruto de estudos e estatísticas publicados recentemente pela TIAC - Transparência e Integridade, Associação Cívica (disponíveis aqui), os quais mereceram várias reflexões e comentários a nível da forma como as instituições públicas disponibilizam (ou não) informação sobre o seu funcionamento aos cidadãos.

A nível da actualidade internacional, Paulo Pires chamou a atenção para uma série de plataformas online onde é possível frequentar cursos gratuitos e adquirir, assim, qualificações em várias áreas a partir de conteúdos disponibilizados por especialistas das melhores universidades mundiais. Há uma procura crescente deste formato, inclusive por utilizadores portugueses. Entre esses sites de educação de qualidade, conta-se um bastante usado por falantes em língua portuguesa: http://www.veduca.com.br

Além disso, Paulo Pires falou sobre um projecto inovador, com grande suporte tecnológico, que está a ser implementado em Londres e que consiste em ver a cidade pelo olhar dos pombos, aqui
A propósito, debateu-se a importância de reinventar o olhar e a percepção sobre a cidade de Silves, criando outras formas menos convencionais de mostrá-la aos residentes e aos turistas, tendo sido referidas algumas ideias/projectos que estão em gestação avançada. 








Relembramos que todos os textos lidos nesta tertúlia encontram-se afixados no interior do Quiosque Al-Mutamid e que os anteriores (referentes à primeira sessão) integram uma pasta disponível no local para quem quiser consultar e ler. 

Aqui ficam alguns exemplos:


ALIENAÇÃO


O constrangimento era absolutamente insuportável.

Não era senhor das suas próprias ideias. Nem a mais vulgar das decisões lhe era permitida. Até o simples ato de se deslocar era cometido de momento a momento. O guarda-roupa, dos sapatos ao casaco ou blusão, nem sequer lhe era proposto escolher. Roupa interior, nem vê-la. Podia frequentar um café ou um bar, ir ao cinema, ao ginásio, ao teatro, à ópera, a um concerto. Vibrar no futebol, numa corrida de cavalos, num combate de boxe. Confrontar-se com o perigo de um tiroteio de rua, do assalto a um banco. Passear pelo jardim ou exercitar-se na alameda. Visitar um museu ou uma galeria de arte. Trabalhar. Viajar. Nunca lhe competiria a menor das decisões.
Até o falar! Ainda por cima com palavras que não eram as suas. 
Falava por balões. 

Não tinha como desistir. Não havia como deixar de ser personagem de banda desenhada. 

(António Baeta Oliveira) 


[SEM TÍTULO]

Só. Mas quem diz: só?

Quem diz essa palavra 
Da cor da maldição?

Não faças confusão.

Aquele que vai só
Leva os outros consigo,

Por eles desespera 
De com eles esperar.

(Guillevic)


LINGUAGEM VIOLENTA: A ÚNICA

Linguagem violenta: a única.

A outra é: Sedução ou Submissão.
Ou seja, o mesmo medo: recear estar só. 
Quando se fala, fala-se. No alto da matéria e do espírito. 

(Gonçalo M. Tavares)


ESTÃO DESERTAS AS PALAVRAS

No deserto me encontro,
num fugaz medo,
num anseio permanente,
mas... ausente.

Podem ser, 
só algumas letras,
sílabas, palavras feitas
até...

Podem haver,
meras frases,
escritos, compêndios
e outros...

Que não chegam 
para descrever 
o pouco,
que o deserto
parece conter.

Mesmo que
muitos apareçam,
com o seu falar,
com o seu escrever...
o deserto, no total, 
não o exprimem.

Mas,
são as palavras
que melhor definem
a alegria, a dor
que se possa ter...

Mesmo que,
num deserto.
Mesmo que,
com muita gente.

Num mar imenso
posso-me encontrar;
num areal infindo,
até naufragar;
na água, feita pedra,
fria, incomensurável...

Não passo incólume,
no deserto.
Não chega o que digo,
Não chega o que escrevo,
para o descrever;
                     está... deserto.


o que sinto,
o que pressinto,
à palavra mais se aproxima.

Quem usa a palavra,
até quando finge,
há algo que aos outros
os toca, os atinge.

Estão desertas as palavras,
por saltarem...
das cartilhas,
dos livros, 
dos dicionários,
das enciclopédias...

E, 
tentarem amenizar
ou mesmo enaltecer
os nossos sentidos,
Quem sabe, alguma vez,
os nossos desertos.

Estão desertas as palavras.

(José Paulo) 


DEPOIS DO SEXO E ANTES DE ADORMECER, CITAM-SE OS CLÁSSICOS (III)

EU: Amas-me?
TU: Claro. Duvidas?
EU: Não, não duvido. Mas estava a pensar numa frase do Dostoievski, que não me sai da cabeça.
TU: Qual?
EU: Aquela em que diz que a verdadeira verdade é inverosímil, é preciso acrescentar um pouco de mentira à verdade para lhe dar maior plausibilidade. 
TU: Queres dizer que não basta dizer que te amo?
EU: Preferia que dissesses que me amas muito. O “muito” seria excessivo, talvez mentiroso; ou seja, daria credibilidade ao “amo-te”.
TU: És muito parvo, tu.

(Risos.) 

(Paulo Kellerman)