sábado, 5 de abril de 2014

Balanço da última tertúlia

Aqui fica uma amostra  dos temas e textos abordados na última tertúlia realizada no Quiosque Al'Mutamid em Silves: 

» António Baeta trouxe três textos, entre poesia, digressão e reflexão cívica/evocação histórica (esta última plena de pertinência e actualidade no que toca à realidade silvense evidenciada nos últimos anos):

Ontem

Da janela escorria uma camisola ensanguentada.
Pingava na terra encharcando o vazio
Que se assomava por detrás das casas.
Três facadas na carne rasgando
Os tecidos nauseabundos, expulsando
O sangue em golfadas efervescentes.
A minha mãe já não mora aqui e o sangue,
Que também é o dela, cai no pântano
Morno cobrindo o chão da cozinha.
A camisola envenenando as ervas daninhas,
Alimentando os vermes que me consomem o corpo.
 Agarrem-no!, ecoou como lâmina zurzindo
O ar brutal do bairro sórdido, não há crime
Sem castigo!, berrou o homem sem significado
Que assistia a tudo.
Nunca um crime foi sentido por mim
Nas fronteiras da solidão, respondi eu
Cobrindo a retaguarda.
Ratazanas sem compromissos escapuliram-se
Nas sarjetas iluminadas pelo odor dos enjeitados.
O vizinho do 2.º dt.º deu a primeira facada.
As outras que me rasgaram a pele e trincharam os ossos
Foram, no calor da refrega, atribuídas a incertos.
Conhecidos mas não identificados nas complexas
Poeiras que ensandeciam a tarde. A camisola
Aspergindo o espetro rastejante da pobreza.
Nunca ninguém fugiu de si próprio deixando
Um rasto de informação apelando
Aos caçadores de infinitos
O odor que os levará ao covil da presa,
Ao definhar do ritual do fogo e do sangue
Que rege o ordálio crepitando nas mentes
Experimentadas no silêncio, na viagem
Interrompida por deus.
A multidão rumina dissolvendo as persianas
Ululantes das personalidades elementares.
O crime percorre as ruas por entre
Conceitos duvidosos e ideias lancinantes
Abandonadas pelos que temem os estrangeiros
Nascidos entre os nossos. A matéria
Que compõe os heróis regurgita no princípio
Da noite, cadinho onde se fundem as ilusões
E o crime assume a vertigem da virtude
Incontestável e una.
O sangue que brotoeja das feridas escancaradas
Sacraliza as ruas por onde prossigo procurando
A caverna dos prodígios labirínticos, a degeneração
Do corpo que reproduz o regresso ao fim.

Duma janela apontando a noite pinga
Uma camisola ensanguentada.

Vrsa 13/11/12
(poema de Vítor Cardeira)

(pintura de Rui Dias Simão)


A Boia

A boia, boia.

Presa a uma corrente metálica, oscila conforme a corrente do rio.

O local onde a boia está presa é mais fixo do que a própria boia, apesar da intenção de se manter a boia presa.

A boia assinala a presença de algo que se quer saber onde se encontra, mas a boia não se encontra no local preciso que se pretende identificar através da posição da boia.

Já tinham pensado nisto? Eu ainda não e provavelmente nunca chegaria a pensar sobre tal coisa se não tivesse resolvido escrever sobre a boia que resolvi fotografar.

Mas o facto é que isto acontece com muitas e variadas coisas. 

Pensemos, por exemplo, no governo, que nos deveria governar e nos desgoverna, subtraindo rendimento ao nosso rendimento, em nome do nosso governo, para com tal subtração, supostamente, nos governar melhor, mas não governa.

Ora o governo não governa, mas a boia boia. Certo?!

Viva a boia! Abaixo o governo!



Quase se pode dizer: "Esta cidade vegeta".

Esta ruína foi um dia, em finais do séc. XIX, a maior unidade industrial do país.

Não com esta dimensão, houve muitas outras fábricas, de dimensão considerável, nesta localidade - Silves.

A macrocefalia da capital acabou por chamar a si todas estas fábricas a instalar-se na margem sul do Tejo. A Salazar também não deveria agradar esta elevada concentração operária, com experiência de luta acumulada sob a ideologia do anarco-sindicalismo e distante dos grandes meios de repressão.

Para os proprietários destas fábricas, os custos de exportação, com transporte até à capital, não lhes traziam vantagem. Havia também uma crise internacional na sequência de duas guerras mundiais.

Uma após outra, as fábricas começaram a incendiar-se, os proprietários obtinham o valor do seguro e partiam a instalar a sua fábrica na região da macrocéfala Lisboa, levando consigo todos os especialistas, da área da produção como da área administrativa, num sangradouro que levou as fábricas, os operários, o capital e o trabalho.

Os grandes e belos edifícios que ainda hoje permanecem no âmago da baixa silvense, bem como praticamente toda a rua Cândido dos Reis, erguida na altura da implantação industrial, com fábricas e residências de proprietários e quadros administrativos, e os bairros operários das cercanias, são fruto dessa época de esplendor.

Hoje já não há indústria corticeira.

Assistimos à degradação das fábricas abandonadas, receamos o futuro da maioria dos edifícios de maior porte e passeamo-nos tristemente numa cidade sem vida e sem perspetiva de futuro, que se vai entretanto mantendo com base na vida administrativa das escolas, do tribunal, das finanças, da autarquia, dos serviços e de restaurantes que servem parte desta gente que nem sequer vive na cidade.

Há por aí um turismozinho de meia tigela, que vem de autocarro e até de barco, que sobe ao Castelo e à Sé e se vai embora.

Ficam umas migalhas de gente no hotel ou caravanistas, nestes últimos tempos, enquanto a cidade dorme, embalada na nostalgia do seu passado ou no mito do desassoreamento do rio, que quando muito traria mais uns quantos turistas além dos dos autocarros e dos que já vêm de barco.

É a cidade que precisa de mudar por dentro.

Falta-lhe uma estratégia, como a que, no passado, levou à implantação da indústria corticeira. 

No Algarve, com uma Universidade na região, estou em crer que se poderia dar por bem empregue o investimento num estudo estratégico.

Esta é a minha proposta e é gritada com urgência. Há por aí mais alguma? 

Ruína de Fábrica de Cortiça em Silves.
A Natureza toma conta do abandono

***

» Maria do Carmo Rosa partilhou prosa poética do autor Rui Miguel Mendonça, publicado online na conta de facebook Entrar Nas Linhas, que se define como "um espaço de expansão de ideias e sentimentos. Um blogue de pensamento absolutamente livre, sem restrições ou condicionamentos à criatividade, à opinião, à reflexão. Sintam-se confortáveis em escrever o que vos apetecer, sobre o que vos apetecer, e como vos apetecer. Mas atenção: liberdade de discussão e debate, mas nunca com recurso à ofensa! No entanto, o vernáculo será permitido nos textos. O vernáculo liberta e alivia tensões!":

Numa tarde de chuva

E então percebeu que há pessoas que brilham sem ser estrela; percebeu que há silêncios que separam sem ser quilómetros. Percebeu. A ouvir uma chuva de sexta-feira à tarde. A vida é pouco assim, sem sentido, e vivemos desesperados a dar-lhe um sentido. Um sentido, com nome e apelidos, tão possível. Um sentido que nos abrace durante as noites. Um sentido que não perca prioridade quando descobrir as cicatrizes que compartilhamos com nós próprios.

E então percebeu que apaixonar-se era uma necessidade tão importante como respirar. Morreria se não respirasse. Morreria se não amasse. Percebeu. O amor era isto. E percebeu que as pessoas se habituaram a maquilhar os sentimentos. Têm medo. E percebeu que algumas pessoas se habituaram a gozar com o amor. Têm medo. Deitado no sofá da sala, ouviu um terapeuta das emoções falar na televisão, num daqueles programas de semana 

à tarde, ouviu, e que afinal não há nada pior do que alguém que te rompa o mais bonito de ti, alguém que destrói as razões do teu sorrir, os sonhos, as esperanças, alguém que te tire as vontades. Ouviu. E assim que nos vestimos com um bocadinho de orgulho e passamos a olhar tudo à distância, tateamos o precipício antes de saltar. Ouviu. Se vamos morrer, então que se morra por alguém que saiba chorar-nos.

O desamor é inevitável. Às vezes é. Percebeu. O melhor era mesmo escolher por quem nos apaixonar. O desamor é inevitável. Às vezes é. E o homem terminou a falar sobre a capacidade de esquecermos as pessoas, a natureza das recordações (a melhor forma de esquecer alguém que nos dói lembrar é chegar à conclusão que não merecemos isso; a melhor forma de esquecer alguém que nos dói lembrar é chegar à conclusão que merecemos algo mais). Percebeu. Antes sangrar por alguém que logo venha a curar-nos. A vida não é assim tão larga. A vida não dura assim tanto. Há que sorrir nos amanheceres, mesmo que a chuva, mesmo que a saudade partilhada com os lençóis. As coisas chegam quando menos as esperas. As coisas chegam quando menos desesperas. Às vezes só demoram um pouco mais a chegar. Mas chegam.

E então percebeu. Desligou a televisão, levantou-se do sofá, abriu a janela e gritou para a chuva: 

Continuo a querer toda a gente que quis na minha vida. Continuo. Mas só até o amor levar-me de urgência e internar-me nos cuidados permanentes. Cuidado, amor da minha vida, quando vieres pode ser para sempre.


***

» Paulo Pires revisitou um poema incontornável (e inquietante) de Pedro Mexia, a partir do qual se gerou alguma reflexão e debate entre os presentes: 

As gavetas

Não deves abrir as gavetas
fechadas: por alguma razão as trancaram,
e teres descoberto agora
a chave é um acaso que podes ignorar.
Dentro das gavetas sabes o que encontras:
mentiras. Muitas mentiras de papel,
fotografias, objectos.
Dentro das gavetas está a imperfeição
do mundo, a inalterável imperfeição,
a mágoa com que repetidamente te desiludes.
As gavetas foram sendo preenchidas
por gente tão fraca como tu
e foram fechadas por alguém mais sábio que tu.
Há um mês ou um século, não importa.

(in Duplo Império)

Pedro Mexia

***

» Ana Paula Baptista lembrou Manuel António Pina, figura maior da cultura portuguesa, através de um poema que reflecte sobre as palavras, o seu poder e a construção do silêncio com as mesmas (seguido de uma anotação que respigámos no também poeta Luís Quintais):

Ludwig W. em 1951

«As palavras (o tempo e os livros que
foram precisos para aqui chegar,
ao sítio do primeiro poema!)
são apenas seres deste mundo,
insubstanciais seres, incapazes também eles de compreender,
falando desamparadamente diante do mundo.
As palavras não chegam,
a palavra azul não chega,
a palavra dor não chega.
Como falaremos com tantas palavras? Com que palavras e sem que palavras?

E, no entanto, é à sua volta
que se articula, balbuciante,
o enigma do mundo.
Não temos mais nada, e com tão pouco
havemos de amar e de ser amados,
e de nos conformar à vida e à morte,
e ao desespero, e à alegria,
havemos de comer e de vestir,
e de saber e de não saber,
e até o silêncio, se é possível o silêncio,
havemos de, penosamente, com as nossas palavras construí-lo.

Teremos então, enfim, uma casa onde morar
e uma cama onde dormir
e um sono onde coincidiremos
com a nossa vida,
um sono coerente e silencioso,
uma palavra só, sem voz, inarticulável,
anterior e exterior,
como um limite tendendo para destino nenhum
e para palavra nenhuma.»

"Um nome, uma data. Ludwig Wittgenstein morreu em 1951, justamente. E o poema de Manuel António Pina (publicado pela primeira vez em Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança de 1999, pp. 10-11) devolve-nos o coincidente limite: a morte e a impossibilidade de dizer. O poema é aqui a linguagem da morte, ou a sua alegoria, porque é a linguagem do que não pode ser dito ou tão-só do reconhecimento de que só podemos balbuciar mesmo quando julgamos dizer. Estranha esta coincidência que faz da palavra e da morte o mesmo tema. Injustificável esta exigência a que o poema dá corpo de dizer o que à partida não poderá ser dito nunca. Assumir isso, e porém procurá-lo, como se o poema fosse apenas o vestígio disso. Há uma melancolia extrema na poesia de MAP que tem a ver com o modo como ela nos reenvia para a consciência do seu desamparo. LW é uma figura de eleição para compreendermos isto, porque em LW o drama que se encena é o do limite da palavra: sem ela não há azul, mas nem todo o azul do mundo cabe nela, sem ela não há dor, mas nem toda a dor do mundo cabe nela."
(Luís Quintais)



Ana Paula leu ainda um excerto de um artigo sobre a questão, polémica, da eutanásia (da qual é defensora), no âmbito do prefácio que Maria Filomena Mónica fez ao livro Morte assistida, da jornalista Lucília Galha: "os desejos e os receios de sete doentes portugueses confrontados com o fim". 

   

***

» Paula Torres foi à sua biblioteca pessoal buscar a obra Antologia de Poesia Universitária, da colecção "Novos Poetas", organizada em 1962-1963 por Alfredo Barroso, Fiama Hasse Pais Brandão, Gastão Cruz, J. M. Vieira da Luz e Rui Namorado para a então reputada editora Portugália. Leu um poema de António Augusto Menano intitulado "Mensagem": 

Transita no espaço o planeta
vendendo aos homens todos os conceitos
da permuta
com que o desespero sabiamente
redescobre o sabor nirvânico 
da cicuta. 

Terra e água unem-se ao fogo
e a crença adolescente do passante
acredita na claridade do sorriso
e vai no jogo. 

Mas se a esfera é redonda
(e como tal manhosa e indiferente)
tudo se resume na procura
de um vértice independente.

Sejamos pois o alimento
que os frutos e as crianças anunciam
e assassinemos a palavra
indiferente. 

seduzir os homens pelo tempo
em que brilhe fútil o passeio
e seja notável o medo 
como meio

sacudir o pensamento
como mosquito incómodo e pertinaz
e condecorar a plumagem
que imita a paz

dar à esperança a suavidade da monção
imitando inteligentemente 
a prudência, a temperança
e o pão

transformar o homem em palhaço
ou esqueleto vagabundo
dizendo a sorrir
que é para salvar o mundo

desistam que o TEMPO É VIVO
E VINGA-SE.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Tertúlia na Barbearia do Mestre Cácio



Noutros tempos as barbearias (bem como as farmácias) eram locais privilegiados de cavaqueira, convívio, novidades e troca de ideias e opiniões, onde fervilhava a vida social das povoações e se inquietavam as mentalidades. 

Também (mas não só) por isso, na próxima segunda-feira, dia 7 de Abril, pelas 21h00 (doravante meia hora mais cedo do que até agora, dada a recente mudança da hora), a Tertúlia Mais Pequena do Mundo vai acontecer na Barbearia do Mestre Cácio, sita no início da rua Elias Garcia, em Silves. 

A tertúlia está aberta a todos os que quiserem aparecer para simplesmente ouvir ou para partilhar algum tema, livro, texto, música, etc. Atrevam-se!

Agradecemos ao Sr. Cácio a amabilidade e abertura em acolher a tertúlia na sua barbearia. 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Tertúlia na próxima segunda-feira

É já na próxima segunda-feira (dia 24 de Março), pelas 21h30, que a Tertúlia Mais Pequena do Mundo se reúne no Quiosque Al'Mutamid, mesmo em frente à Biblioteca Municipal, para mais uma noite de partilhas, contágios, silêncios e inquietações. São todos bem vindos!

Em 1928, na Brasileira do Chiado eram assim as tertúlias...

Sugestão de leitura: um artigo sobre cafés, tertúlias, livros e Silves no suplemento Cultura.Sul [pp.8-9] deste mês, aqui

Última tertúlia em balanço

» António Baeta trouxe-nos um texto seu para pensar, feito, metaforicamente, de rios e de margens, de inclusões e marginalizações, e da forma como cada indivíduo tem de se adaptar, lidar e (sobre)viver na grande corrente da vida e como esse caudal o vai moldando e (re)inventando. 

Atirados para a margem


O rio é uma corrente que, implacavelmente, arrasta ou contorna os obstáculos até atingir o mar ou, simplesmente, atira para as margens o que se afasta do seu curso principal.

O rio é um pouco como a vida; a nossa vida.

Dia após dia somos arrastados pelos condicionalismos e pelas nossa opções para os enfrentar, e se não seguirmos a corrente ver-nos-emos atirados para a margem.

Como um rio, a corrente é forte e condiciona logo à partida de acordo com a origem social, condicionando o rendimento nos estudos, mais tarde o tipo de emprego e o valor da remuneração, vem depois a idade, eventualmente o desemprego e somos, muitos de nós, inelutavelmente atirados para a margem.

Em tempo de crise a vida corre como um rio em hora de tempestade e tudo se acelera, arrastado pela corrente.

As margens enchem-se de detritos, dos que não encontram um emprego, dos que o perderam, dos que adoeceram, dos que envelheceram, dos que perderam a casa, os haveres, dos que foram atirados para margem.

E o rio continua inexoravelmente indiferente.

***

» Vera Silvestre estreou-se na Tertúlia com uma tocante (e tremendamente real) crónica de António Lobo Antunes intitulada "Love My Life", publicada na revista Visão em Março de 2013:

Conhecemo-nos faz muitos anos. Estava internado no hospital com um diagnóstico de esquizofrenia, ouvia vozes, passeava em solilóquios no pátio, nalgumas alturas era agressivo, noutras pedinchava cigarros, quase ninguém da família se interessava por ele ou o visitava, passou anos na enfermaria, dávamo-nos bem. Às vezes, quando estava mais violento, sentava-o no meu colo. Começava por oferecer porrada, acabava abraçado a mim, a chorar. Depois secava as lágrimas, levantava-se e punha-se na alheta:
- Você não é má pessoa, doutor 
garantia ele 
- Você não é má pessoa.
Ontem encontrei-o na rua. Um frio do caraças e ele vestido de trapos, com um barrete esquisitíssimo na cabeça. Eram duas e meia da tarde e não tinha comido nada:
- Ainda hoje não comi nada, doutor
de maneira que ficou à espera que eu acabasse o cigarro para se banquetear com a beata porque
- Uma beata conforta, doutor, você não imagina como uma beata conforta.
Dorme no degrau de uma igreja
(eu
- E a almofada?
ele
- Não preciso, ponho o cotovelo por baixo)
com um cobertor que traz num saco de pano a desfazer-se e que os colegas do degrau volta e meia lhe roubam. Alimenta-se de esmolas, não toma banho, passeia pelas ruas
(- Por acaso hoje está fresquinho)
não se queixa de nada. É daquelas pessoas que tem uma sobrancelha só, mesmo por cima do nariz os pêlos continuam, cheira mal que tresanda. As vozes, na sua cabeça, vão e vêm:
- Não me chateiam muito, não necessito de bater em ninguém 
e, entretanto, começa a chover e a gente os dois a molharmo-nos. Recuamos para debaixo de uma varanda. Declara
- No hospital era porreiro, comida quente, cama
e lá me vieram à cabeça os plátanos, a miséria daquilo, uma inscrição torta num muro: Love My Life. Sempre que a olhava passava-me. Love My Life. E gatos vadios, e pombos. Love My Life, porra. Ele para mim
- Uma coisa é certa, doutor, não sou infeliz.
Não sorri mas não é infeliz. Também não chora. Anda pela cidade
- Não tomo injecções nem comprimidos mas não faço mal a ninguém
até ao dia em que as vozes lhe dêem uma ordem qualquer
- Quero isto, quero aquilo
e ele se torne violento de novo. Meto a mão no bolso para lhe entregar dinheiro, ele recusa, com ar severo 
- Basta-me a sua amizade, doutor
acrescenta
- Os amigos são para outras coisas 
fixa-me com severidade, com censura. 
Respondo
- Quais outras coisas, parvalhão?
e amacia um bocado:
- Você sabe 
murmura ele
- Você sabe. 
E, de viés:
- Neste momento você topa tudo o que eu penso
e não topo nada do que ele pensa porque ele não está a pensar seja o que for. Mal terminei a frase e já está a atirar-me
- Ora vê?
a sublinhar
- Ora vê como topou logo que não penso?
Experimento
- E eu estou a pensar em quê?
a pensar na frase escrita na parede, Love My Life, que sempre me deu volta à tripa. Fica a meditar um minuto, olha-me, deixa de olhar-me, olha-me de novo
- Sei lá, você é doutor, tem poderes. E escreve livros, não é?
Junta à pergunta uma promessa solene
- Para a semana compro um porque até aos quinze anos andei a estudar.
Lembro-me mal da história da vida dele, tenho ideia da mãe, de tempos a tempos, com um cestinho de fruta. Uma senhora pobre, que pedia desculpa de existir: 
- Sou viúva.
Eu
- A mãezinha?
Pela primeira vez abriu-se:
- Está bem, doutor
a medir se avaliou em condições: acha que sim, abre-se mais:
- Desde há três anos no Alto de São João. Pelo menos quando a gente morre deixam de chatear-nos a molécula.
E aqui apareceu-me Voltaire na agonia. O padre insistia com ele para repudiar Satanás e Voltaire argumentou
- Nesta altura não me convém arranjar inimigos
mas talvez Satanás não chateie a molécula à viúva do cestinho da fruta e se reserve para moléculas de maior calibre. De qualquer maneira o filho anda a pau:
- Mais para o verão dou lá um salto para uma conversinha 
ou seja ela a insistir 
- Come um pêssego 
e ele
- Não estou em maré de pêssegos, senhora, o que me apetece são tremoços.
Disso recordo-me: quase todos os dias pedia tremoços ao enfermeiro, que era o nome que ele utilizava para os comprimidos:
- Se você fosse homem entregava-me uma mão cheia de tremoços para acalmar as ideias
e, de quando em quando, lá lhe entregavam um tremoço ou outro. Passada meia hora alongava-se no chão do pátio, tranquilo
- É cá uma paz que eu sinto
de olhos fechados e braços abertos, crucificado na terra:
- Cá uma paz, doutor.
Mas estamos de pé numa rua de bairro, chove, as árvores abanam, o vento mete-se pescoço abaixo, sob a gola. Estende-me a mão
- Vou indo
e lá vai indo com o saco, metido nos seus trapos confusos. Vira à direita, na esquina onde não há um prédio, há um pedaço de muro antigo e parece-me que escrito no muro, em maiúsculas muito maiores do que no hospital, Love My Life. Uma ocasião uma jornalista alemã veio entrevistar-me. Não tinha que ver com doenças, tinha que ver com livros. E foi estranhíssimo: assim que reparou nos internados, assim que leu a frase, desatou a chorar. Era uma mulher de cinquenta ou sessenta anos e desatou a chorar.
- Perdoe, perdoe
soluçava ela. Love My Life apenas. Porque seria?

António Lobo Antunes

***

» Fernanda Marcelino falou de viagens e do livro Planisfério Pessoal, de Gonçalo Cadilhe, lendo um excerto da obra do incansável andarilho-descobridor: 



E recomendou ainda dois blogues muito interessantes que aliam viagens, livros e cultura:


Sandra Nobre (projecto "Acordo Fotográfico")

Praia de Itapuã, em Salvador da Bahia - Brasil (blogue de Nilza Marcelino)


***

» Paula Torres trouxe-nos uma visão-resumo original, multi-religiosa, da MERDA (não se assustem), a partir da história "Quando um bobo se intromete", retirada da obra O Rei, o Sábio e o Bobo, de Shafique Keshavjee.    



***

» Marco Mackaaij partilhou mais poesia de Yehudah Amichai e não só, dando ainda a conhecer o seu novo blogue, onde podem encontrar poemas e textos curtos da sua autoria: http://devesacreditarnaprimavera.blogspot.pt/

O lugar onde temos razão 

Do lugar onde temos razão 
nunca hão-de crescer flores 
na primavera. 

O lugar onde temos razão 

é duro e espezinhado 
como um quintal.

Mas dúvidas e amores 

desenterram o mundo 
como uma toupeira, um arado.   
E um sussurro será ouvido no lugar 
onde outrora esteve 
a casa em ruínas.

"The Place Where We Are Right", de Yehudah Amichai
Trad. a partir da trad. inglesa de Chana Bloch e Stephen Mitchell: M. M. (2014) 


Deus tem dó de crianças no infantário

Deus tem dó de crianças no infantário.
Ele tem menos dó de crianças na escola.
E de adultos ele não tem dó nenhum, 
deixa-os sozinhos,
e por vezes eles têm que gatinhar 
na areia escaldante 
para chegarem ao posto de primeiros socorros  
cobertos de sangue. 

Mas talvez cuide de verdadeiros amantes

e tenha dó deles e lhes dê abrigo   
como uma árvore que cobre um velho
a dormir num banco da rua.

Talvez nós também lhes dêmos  

as últimas raras moedas de compaixão 
que a mãe nos legou, 
para que a felicidade deles nos proteja 
agora e em outros dias.  

"God Has Pity on Kindergarten Children", de Yehudah Amichai
Trad. a partir da trad. inglesa por Chana Bloch e Stephen Mitchell: M. M. (2014) 


O Casamento

Dei-te tudo:
um poema, o meu vencimento
e um filho; podes agora ver 
se a comida está pronta?

Het Huwelijk
A. Marja (1917-1964)
Trad: M. M.

***

» Mais poesia, desta vez pela pena de Esmeralda Lopes Alves, apaixonada pelas letras e seus labirintos e fascínios, e também dinamizadora do blogue http://palavrastemporarias.blogspot.pt/

Ei-nos no palácio sagrado
Lugar segredo
Onde a queda se fez homem.

- Ó Grande voz, 

Ergue-te,
Estremece o sono
Deste mundo que dorme.

- Saberás de mim...

Quando chegar o dia
Tu entenderás as águas
Porque o rio está em toda a parte.
Ele é nascente,
é foz, 
é catarata,
glaciar, 
ribeirinho ou oceano.
Ele é a neptuna voz ancestral
e tu
o barqueiro iludido!

- Ó meu segredo bem guardado,

Acode aos exilados
Que entoam cantos
Na diáspora da amargura.

Ísis, 10.3.2014


***

» Maria Lúcia Cabrita evocou o imaginário popular e a literatura oral algarvia recordando a "Lenda do Rio Arade":

Rio Arade, rio Arade, 
Diz a voz da tradição 
Que uma moira aqui chorou, 
Trazida por Rei Cristão...

Foi em tempos tão remotos, 

Em tempos que já lá vão, 
Que a luta era mais acesa 
Entre a Cruz e o Alcorão...

Era tudo fogo e ferro, 

Em chamas ardia o chão, 
E a blasfémia proclamada
Carecia de perdão...

E se Cristo alçava a cruz 

Aos valentes portugueses, 
Alá, de longe, incitava 
Os moiros, algumas vezes...

Os dias assim passavam, 

Tão negros, sem exagero, 
Que nada ali mais se ouvia 
Que as vozes do desespero...

Quebravam-se alfanjes moiros, 

Duras lanças portuguesas, 
Nesses combates hostis, 
Pelos montes, por devesas...

E diz a lenda, ela sempre, 

Que o sangue que o chão bebia 
Numa fonte mais à frente, 
Muitas vezes, apar’cia...

É por isso que ainda hoje, 

Até por gosto bizarro, 
Se apanho terra de Silves, 
É vermelha, cor de barro...

Vamos ao que mais importa 

Nesta longa narração: 
Saber o que aconteceu 
À moira e ao rei cristão...

Era um dia, ao sol poente 

Brilhavam nuvens nos céus, 
E El-Rei das hostes cristãs 
Rezava, sozinho, a Deus.

Senão quando, senão quando 

Junto de si apar’ceu 
Uma visão, a mais linda, 
Vinda lá dum outro céu.

Pronto El-Rei ali quedou 

A fervorosa oração; 
Logo, também, inquiriu: 
- Quem és tu, aparição?...

- Eu sou Fhatma, a enjeitada; 
Não tenho pai, nem irmãos, 
E assim me dou, pura e virgem, 
Ao forte Rei dos cristãos...

Levou-a El-Rei consigo, 

Na garupa do cavalo; 
Prestes, dela se tomou, 
Não seu Rei, mas seu Vassalo...

E, numa curva do rio, 
Num lugar que é Encherim, 
Entre flores de laranjeira, 
El-Rei lhe falou assim:

- Tu és flor ou és mulher?...

És verdade ou tentação?...
Tu, que és moira, quer’s ficar 
Aqui no meu coração?...

Era a moita só ternura, 

E sorria como ainda 
O guerreiro outra não vira 
Sorrir, morena e tão linda...

Mas Fhatma ali respondeu: 

- Sou mulher, mas, se me queres, 
Sou só tua, apenas tua; 
Faz de mim quanto quiseres!...

Abraços assim e beijos 

Não foram jamais trocados, 
Nos tempos vindos depois, 
Nem nos tempos já passados...

Porque o amor não era amor, 

Era coisa tão sem nome, 
Como a água que mata a sede 
Ou o pão que mata a fome.

Foi-se El-Rei de novo à guerra 

E a princesa, porque o era, 
Ficou-se, naquele vale, 
Sempre à espera, sempre à espera...

Passaram tempos vindouros, 

Longa noite, longo dia, 
Mas El-Rei não mais voltou 
Para ver quem não o via...

E a moira que filha fora 

Do príncipe Ben Ahr-ade, 
Foi-se, a pouco, ali finando, 
Só chorando de saudade...

Lágrimas do céu bebia, 

Nas longas noites chuvosas, 
Para as transformar, depois, 
Noutras bem mais copiosas...

Eis, assim, foi engrossando 

Aquela magra ribeira, 
Onde a moira se quedara, 
Mais chorosa, à sua beira...

Os tempos foram passando, 

Mas a ribeira era agora 
Um rio que ia morrer 
Noutras águas, mar em fora...

Logo o vulgo, sempre o vulgo, 

Depois, para a eternidade, 
Ali mesmo baptizou 
O rio, de Rio Arade...

Por isso, nos meus ouvidos, 

Em longas noites de v’rão, 
Ainda ouço alguém cantar 
Aquela estranha canção:

- Rio Arade, Rio Arade, 

Diz a voz da tradição 
Que uma moira aqui chorou, 
Trazida por Rei Cristão...

in Morais Lopes, Algarve: as Moiras Encantadas, s.l., edição do autor, 1995, pp.63-67.

A propósito, algumas fotos do Rio Arade/cidade de Silves em diferentes épocas:






***

» José Paulo Vieira lembrou os sinos e a sua simbologia e importância no quotidiano e imaginário populares, sobretudo nos meios interiores e em contextos mais conectados com a prática religiosa, trazendo-nos um poema seu inspirado no conhecido texto de Fernando Pessoa "Ó sino da minha aldeia".

Porque dobram a rebate os (ou estes) sinos?

- Não sei explicar o gosto que tenho pelos sinos...
mas, sinto que andam tristes,
estes sinos. - 

Os sinos de Portugal! - 

- Metal de bronze
quantos são? Milhões?!...
Todos sabem!

Os meses do ano - 

- são doze, não onze;
muitos os ladrões,
em nós jazem.

Carrilhões desta terra,

choram!
Os três cavalos
em trenó frio...

Um ano inteiro

Bem nos furtam - 
- Quarenta ou mais a sonegá-los,
Ali-Babá os aferiu!

Melopeia pungente

de diáfanos arpejos
pueris
queria eu para o meu país.

Ode não,

mas marcha fúnebre
fremente...
de mil anseios
vis,
badalam agora a repique
alvorotados
... estes sinos.

Fernando Pessoa [1888-1935]

Ó sino da minha aldeia 


Ó sino da minha aldeia,

Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto,

Quando passo triste e errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me sempre distante.

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.


***

» Teresa Caldas também se estreou nas lides da Tertúlia, trazendo um pouco do imaginário e mundividência espirituais/filosóficos que fazem parte do seu percurso vivencial e profissional, neste caso com um pensamento, traduzido por si, da autoria de Kabir (um dos grandes poetas místicos da Índia medieval, que compôs poemas que evidenciam a fusão entre o movimento bhakti e o sufismo muçulmano):

Tenho estado a pensar na diferença entre a água e as ondas nela.
Subindo, a água continua a ser água, caindo é água também. Alguém me dá uma dica sobre como as separar?
Porque houve alguém que inventou a palavra "onda" sou obrigada a distingui-la da água?
Há um Ser Secreto dentro de nós;
Os planetas de todas as galáxias passam-lhe pela mão como contas.
É esse o colar de contas que devemos ver com um olhar luminoso. 

Kabir [1440-1518]


***

» Paulo Pires falou sobre visões de Deus e práticas religiosas, enfocando no ressurgimento dos movimentos ateístas e nas relações entre a religião, a morte e o riso, tendo como ponto de partida a conferência do escritor e humorista Ricardo Araújo Pereira proferida em Lisboa em 2010 a convite do padre José Tolentino Mendonça.

Estes tópicos mereceram alguma reflexão por parte do Sr. Padre Carlos Aquino, que explanou o seu ponto de vista e a sua forma de olhar para o papel e postura actuais da Igreja e para os múltiplos desafios que esta tem de encarar, sobretudo em contextos mais conservadores, defendendo uma visão mais aberta, solta, sorridente (menos cinzenta) e mais humanizada da religião e das concepções de divino/espiritual.

Ricardo Araújo Pereira e a Questão de Deus
Org.: Secretariado Nacional da Pastoral Cultura
(Capela do Rato, em Lisboa, a 11.3.2010)


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» O trabalho poético de José Tolentino Mendonça foi recordado por Sónia Pereira, que leu dois poemas belíssimos deste singular padre-teólogo-poeta: 

Calle Principe 25

Perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos
conservar

mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou


José Tolentino Mendonça

Da verdade do amor

Da verdade do amor se meditam 
relatos de viagens confissões 
e sempre excede a vida 
esse segredo que tanto desdém 
guarda de ser dito 

pouco importa em quantas derrotas 
te lançou 
as dores os naufrágios escondidos 
com eles aprendeste a navegação 
dos oceanos gelados 

não se deve explicar demasiado cedo 
atrás das coisas 
o seu brilho cresce 
sem rumor 

(a seguir à leitura destes poemas Lúcia Mendonça trouxe para a Tertúlia um/o seu silêncio)


***

» António Guerreiro partilhou fotos suas com todos os membros da Tertúlia, oferecendo uma a cada um. São trabalhos que ilustram o seu percurso fotográfico, em vários registos, ao longo dos anos. 
Deixamos dois exemplos, advertindo para o facto de a cor/tonalidade aqui apresentada (dado estas fotos terem sido digitalizadas para inserir aqui) poder não corresponder, em rigor, ao tratamento original das fotos em causa: 



***

» Ana Paula Baptista bebeu mais uma vez na obra de José Saramago e leu a crónica "O grupo", retirada da sua obra Deste Mundo e do Outro, tendo partilhado ainda um incontornável poema de José Gomes Ferreira:



  José Saramago [1922-2010]

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) - nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...

José Gomes Ferreira [1900-1985]

segunda-feira, 10 de março de 2014

Sarau Instável com dois comunicadores imperdíveis

Motivação, Criatividade, Imaginação, Poesia e Empreendedorismo... (ou como vencer a inércia nos tempos que correm?)

Temas actuais e incontornáveis para debater na próxima sexta-feira (dia 14 Mar), pelas 21h00, em mais um Sarau Instável a realizar na Biblioteca Municipal de Silves, onde irão juntar-se dois dos mais reconhecidos e contagiantes comunicadores portugueses nestas áreas. A entrada é livre. Mais info aqui

Entrevista ("Onde existe imaginação nada é definitivo") com Carlos Lopez Cano Vieira aqui

Sobre a "Orquestra de Palavras" (sistema artístico-pedagógico), de Paulo Condessa, aqui


Prof. Carlos Lopez Cano Vieira

Criativo e performer Paulo Condessa 

Estamos quase nas 15000 visualizações...

Uma nota singular (ainda sobre a última tertúlia)

No balanço que fizemos da última Tertúlia (realizada no Café "O Cais"), por lapso, não referimos o original contributo de Lúcia Mendonça, que surpreendeu os participantes na Tertúlia com uma partilha vinda da terra: várias couves da sua horta, que distribuiu por todos. 

As tertúlias, feitas de (re)encontros e cumplicidades, têm também (felizmente) destas coisas...

domingo, 9 de março de 2014

Amanhã há tertúlia na sacristia da Sé Catedral de Silves!

Uma tertúlia numa sacristia? Sim, soa a inusitado, mas gostamos de lugares de recolhimento, "intimismo", apaziguamento, onde as palavras se instauram como pontes de partilha, cumplicidade e reinvenção da vida e do mundo.

Amanhã, segunda-feira, às 21h30, estaremos na sacristia da Sé Catedral de Silves (entrada livre, pela porta lateral). O nosso muito obrigado ao dinâmico Sr. Prior Carlos Aquino pela sua abertura e sensibilidade em acolher a Tertúlia neste espaço. Mais info aqui

Em Abril e Maio estaremos em barbearias, farmácias, ateliers/galerias e nalguns domicílios da cidade. Estejam atentos...

Sé Catedral de Silves